terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Resenha - A Máquina de Fazer Espanhóis

Mais um livro lido e amado do grupo de leitura #NomeProvisório, dessa vez foi a Thami do Eu Li ou Vou Ler que escolheu e como fã nos apresentou essa obra linda, profunda e muito marcante. Caso queira participar da leitura deste mês que será Admirável Mundo Novo só entrar no grupo do face clique aqui.

Título: A Máquina de Fazer Espanhóis  
Autor: Valter Hugo Mãe
Páginas: 256
Ano: 2015
Editora: Cosac Naify
Onde Comprar: Amazon
Pontuação:      
Sinopse: Uma obra de maturidade a que agora chegará às mãos dos leitores, conseguida pela grande capacidade de criar personagens que este autor sempre revelou, aqui enredadas nas questões da velhice, da sua ternura e tragédia, resultando num trabalho feito da difícil condição humana mesclada com o humor que, ainda assim, nos assiste. A máquina de fazer espanhóis é uma imagem livre do que somos hoje, consequência de tanto passado e dúvidas em relação ao futuro. É um livro de reflexão sobre a fidelidade na amizade ou no amor.
No país dos silvas poucos serão os que escapam a pensamentos paradoxais de profundo amor pela nação misturados com uma ancestral dúvida sobre se não estaríamos melhor como cidadãos do país vizinho.
Entre o dramático da vida, com a idade a descontar o tempo, e o hilariante da casmurrice e senilidade, este romance é um retrato dos homens que perduram depois da violência mais fracturante. É um retrato delicado e sensível da terceira idade, com o que acarreta de ideias confusas sobre o passado e sobre o presente.

“São feitos um pro outro quanto possível, já conhecedores do cominho das pedras que, ao fim de uma ou duas horas, nos levaria novamente ao coração um do outro.“


A obra nos apresenta o Senhor Antonio Jorge da Silva, um barbeiro que tem 84 anos e acaba de perder sua amada esposa Laura e em seguida perde sua identidade sendo colocado pelos filhos num lar de idosos. Desprovido de tudo o que era mais valioso para ele, Silva como é conhecido, tenta se redefinir num ambiente totalmente novo, onde irá analisar seu passado, sua vida e fazer novas amizades (velhinhos que queria trazer para casa e cuidar).
Quando o senhor Silva chega ao lar, chamado de “Feliz Idade”, ele vivencia de tudo um pouco, desde a mais profunda tristeza até o amor. Lá dentro, uma das maiores reflexões que se pode ter, é que mesmo com 84 anos, ainda não se viveu tudo. Ele, que sempre foi um sujeito dedicado apenas à família, precisou do restinho de solidão para aprender a fazer amigos. Com essas amizades que mostram para ele que é essencial termos com quem contar além da nossa família, alguém que estará ali sempre que todos os outros não mais tiver.

"O nosso coração deveria esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir."

E, apesar de contar a história do Silva, o livro também retrata uma parte importante da história de Portugal. Ele fala daquelas pessoas que lutaram contra a ditadura salazarista e, principalmente, daquelas que se omitiram para buscar a própria sobrevivência nos tempos de crise. 
Apesar das conversas, da descontração e até dos planos futuros de alguns moradores do “Feliz Idade”, a morte é uma presença constante. Ela está ali, aguardando pacientemente, esperando que algum velhinho desocupe um dos disputadíssimos quartos para que outro tome seu lugar. E é isso o que o autor nos apresenta, a morte constante, o envelhecimento, o abandono, o amor e foi a forma como Valter nos mostra isso de maneira um pouco poética que me deixou completamente apaixonada pela obra. Pois jamais teria coragem de largar meus pais num lar de idosos e o triste que é uma realidade do nosso mundo.

“Sonhar um mundo é correr riscos ainda maiores, é ser ambicioso perante o que já é impossível.” 

A forma como o autor escreve com letras minúsculas, sem espaço entre os parágrafos, sem diferenciação gráfica entre a narração e a fala dos personagens. Me incomodou um pouco pelo fato de nunca ter lido nada assim antes, mas com o decorrer da leitura você acaba relevando.
Foi o primeiro livro que li do autor e pretendo ler outros num futuro não muito distante, super indico esta obra pois assim como foi uma grata surpresa para mim, pode ser para você.

“Porque um livro, com o que contém pode ser uma fortuna eterna. “ 

4 comentários:

  1. Olá!
    Uau, parece uma leitura muito intensa e densa. Eu confesso que geralmente fujo de leituras assim, porque me deixam na bad, hahaha.
    Mas gostei da sua resenha e de saber mais sobre ele - até porque provavelmente seria um livro que eu normalmente não pegaria pra ler.
    Isso de não haver diferenciação entre narração e fala me incomoda bastante e deixa as coisas mais confusas, rs.
    Amei o blog! Bjocas,

    www.umdiamelivro.com.br
    www.youtube.com/literamigas4

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    Respostas
    1. Oi Andressa, também procuro fugir mas dessa vez não deu e o livro me pegou de jeito. hahah
      Me incomoda tambem, mas com o decorrer da leitura você vai conseguindo se adaptar, haha.
      Volte sempre, beijos

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  2. Oi Isa, fico tão feliz de saber que você gostou :D
    Adorei saber um pouco mais sobre o seu ponto de vista!
    bjão

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  3. Isa, adorei a resenha.
    Eu abandonei esse livro. Não estava no momento dele. Agora lendo seu texto, fiquei com vontade de retomar a leitura. Farei isso logo porque quero muito conhecer a obra do Valter Hugo.
    bjão!
    www.jeniffergeraldine.com

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